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Tainá brilha e Jadson é bi na Praia d’Ulé

Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, Praia d’Ulé, Guarapari (ES).
Jadson André, Tainá Hinckel, Luan Wood e Daniella Rosas comemoram no pódio do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, na Praia d’Ulé, Guarapari (ES). WSL / João Vitor Moreira

A etapa Guarapari do Circuito Bando do Brasil chegou ao fim neste domingo na Praia d’Ulé, no Espírito Santo, reunindo alguns dos principais nomes do surfe sul-americano em disputas válidas pelo QS 4.000 da World Surf League (WSL). A etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada.

O domingo começou com as semifinais nas duas categorias, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral catarinense.

Tainá Hinckel (BRA) e Jadson André (BRA) levaram os troféus de campeões para casa, somando importantes pontos na corrida pelo título sul-americano e pela vaga no Challenger Series (CS) de 2027/28. Além disso, os vencedores embolsaram 8 mil dólares de premiação. Luan Wood (BRA) assumiu a liderança do ranking do QS após a etapa. Daniella Rosas (PER) toma a frente de Sophia Medina (BRA) na lista e também assume a ponta.

Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, Praia d’Ulé, Guarapari (ES).
Backside afiado é arma de Tainá Hinckel na final. WSL / João Vitor Moreira

Tainá Hinckel arrasadora na decisão 

Em um duelo internacional inédito em finais, Tainá Hinckel (BRA) venceu a experiente Daniella Rosas (PER) e conquistou o título feminino do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Guarapari. As duas já haviam se enfrentado seis vezes em etapas do Qualifying Series, com três vitórias para cada lado, mas esta foi a primeira decisão entre elas. 

Tainá chega à sua primeira final do Circuito Banco do Brasil em 2026, depois de bater na trave em duas semifinais, em Ubatuba e Natal, e se coloca novamente na briga pelo bicampeonato. A catarinense da Guarda do Embaú também disputa o Challenger Series e chega à terceira posição do ranking do QS na América do Sul após esta etapa, em uma temporada que pode marcar mais um salto importante na carreira da atleta olímpica e integrante do squad BB.

A final foi marcada por uma disputa de alto nível e pelo duelo de backside, uma das principais características do surfe de Tainá. A brasileira abriu vantagem com uma onda de 8 pontos, construída com três fortes pancadas, deixando Daniella precisando de 10 pontos para virar. Na sequência, Tainá encontrou uma esquerda mais longa e arrancou 7 pontos dos juízes, ampliando a pressão sobre a peruana. Com apenas quatro ondas surfadas durante toda a bateria, Tainá garantiu o título na Praia d’Ulé e o maior somatório do evento: 15,50 pontos, o mesmo alcançado por Dani nas semifinais. 

“Estou muito feliz com essa vitória e muito rouca, porque berrei com tudo o que estava aqui dentro nas minhas duas melhores ondas. Foi uma bateria muito disputada. O surfe feminino está evoluindo muito na América do Sul e estamos caminhando para mostrar nosso potencial mundo afora. Vencer aqui é muito especial para mim. Acreditei do início ao final e sabia que precisava acreditar”, celebra a campeã.

“Estou muito feliz e sei o quanto é importante para mim estar com essa garra, mostrar meu surfe em qualquer campeonato. Não é só a onda, mas a conexão que existe dentro de mim. Foi super disputada do início ao final, mas eu sabia que seria minha porque planejei tudo desde o começo. Deus tinha escrito isso para mim”, comemorou Tainá.

Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, Praia d’Ulé, Guarapari (ES).
Nem mesmo uma lesão no pé consegue impedir as decolagens de Jadson André. WSL / João Vitor Moreira

Jadson é bicampeão na Praia d’Ulé

Aos 36 anos, Jadson André escreveu mais um capítulo de superação na Praia d’Ulé. Mesmo competindo durante toda a etapa com uma lesão no pé que chegou a colocar sua participação em dúvida, o potiguar venceu Luan Wood na final masculina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Guarapari e conquistou o título pelo segundo ano consecutivo. O confronto foi o segundo entre os dois na temporada. Em Imbituba, Jadson e Luan haviam se encontrado na semifinal, com vantagem para o catarinense. Desta vez, porém, o potiguar levou a melhor no duelo decisivo.

Em uma bateria com as condições do mar alteradas pela entrada do vento logo após a final do feminino, Jadson apostou em seu forte surfe de frontside e nos aéreos para abrir vantagem, enquanto Luan, de backside para as esquerdas e com um surfe mais de linha, lutou até o fim, encaixando boas combinações de manobras para reduzir a diferença entre eles no somatório final. Apesar de encontrar um 7,27 pontos, Luan não conseguiu trocar sua onda de backup e acabou sendo batido na matemática final por 12,60 (7,27 + 5,33) contra 13,33 (6,83 + 6,5) de Jadson. 

“Mais uma vez, toda honra e toda glória sejam dadas a Deus. Sem Ele, seria impossível chegar até aqui e vencer esse campeonato. Eu realmente não conseguia pisar no chão direito e chegou a passar pela minha cabeça abandonar a competição. Mas, como alguém que confia nos planos de Deus, decidi pensar em um dia de cada vez e as coisas foram acontecendo”, contou o campeão.

Jadson também revelou que uma série de coincidências durante a etapa o fizeram lembrar da conquista de 2025. 

“Durante a competição, várias coisinhas foram trazendo boas lembranças e alguns sinais. No ano passado, competi com a cordinha do meu colega de quarto. Este ano, eu estava competindo com o leash de outro moleque e tinha quebrado a minha única quilha que eu conseguia surfar. Cheguei na praia e encontrei o Rickson (Falcão), que me emprestou uma quilha da prancha reserva dele. Ontem, uma pessoa me perguntou: ‘Vai ganhar de novo?’. E eu respondi: ‘Vou ganhar de novo’. Na minha segunda onda da bateria, foi a primeira vez que consegui pisar na prancha direito. Parece até que estou vivendo o ano passado de novo.” 

Emocionado, Jadson ainda mandou um recado para a família: “Estou muito feliz. Mando um beijo para minha esposa, meu filho e toda a minha família. Vou levar essa tartaruga (mascote da etapa) para o meu filho. Estou muito feliz e embalado para a próxima semana, porque já temos outro evento muito importante do ano pela frente.”

Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, Praia d’Ulé, Guarapari (ES).
Luan Wood assume liderança do ranking sul-americano. WSL / João Vitor Moreira

O caminho dos campeões até a final

Traçando o retrospecto até as finais, a manhã de domingo na Praia d’Ulé começou com a definição das finalistas. Na primeira semifinal feminina, Tainá Hinckel confirmou seu favoritismo diante de Kiany Hyakutake (BRA), que garantiu seu melhor resultado na temporada 2025/26. 

Representante da nova geração do surfe brasileiro, Kiany chegou à sua primeira grande semifinal do ano mostrando a evolução que vem apresentando etapa após etapa, enquanto a experiência de Tainá falou mais alto. A catarinense abriu vantagem logo no início, com uma onda que lhe rendeu 7,5 pontos, e administrou a bateria para avançar à decisão. 

Na sequência, Daniella Rosas garantiu a segunda vaga na final ao superar Silvana Lima (BRA), em mais um capítulo de um confronto que vinha sendo amplamente dominado pela peruana: nas seis baterias anteriores entre as duas, Daniella havia vencido cinco. Desta vez, voltou a levar a melhor, com uma atuação arrasadora que incluiu 8,33 pontos, a primeira nota de critério excelente do surfe feminino em toda a competição. Dani encerrou sua participação ainda igualando o maior somatório de todo o evento ao de Tainá na final: 15,50 pontos (8,33 + 7,17). 

Logo depois do feminino, foi a vez dos homens definirem os finalistas. Na primeira semifinal masculina, Jadson André reencontrou Rodrigo Saldanha (BRA), repetindo o confronto da final de 2025. O potiguar começou a bateria em ritmo intenso e rapidamente colocou pressão sobre o adversário, chegando a deixar Rodrigo precisando de uma combinação de notas para se classificar. 

Na segunda semifinal, Luan Wood confirmou o excelente momento que vive na temporada ao superar Pablo Gabriel da Silva (BRA) e garantir sua vaga na decisão. Vice-líder do ranking sul-americano até então, Luan vem fazendo uma temporada espetacular no Circuito Banco do Brasil de Surfe, com resultados consistentes que o colocam como um dos principais nomes a serem batidos nas etapas. A final em Guarapari foi sua terceira em quatro eventos em 2026. A semifinal contra Pablo marcou também o primeiro encontro entre os dois em uma bateria de QS. 

Pablo Gabriel encerrou sua melhor campanha do ano após uma trajetória de superação em solo capixaba, eliminando favoritos desde as primeiras fases e enfrentando adversários de peso até chegar ao Finals Day, garantindo assim seu melhor resultado da temporada. 

Com os resultados das semifinais, Kiany e Silvana terminaram suas participações na terceira posição geral entre as mulheres, enquanto Rodrigo Saldanha e Pablo Gabriel da Silva ficaram com o terceiro lugar entre os homens.

Circuito Banco do Brasil de Surfe 2026, Praia d’Ulé, Guarapari (ES).
Daniella Rosas fica com a segunda colocação entre as mulheres. WSL / João Vitor Moreira

Baterias decisivas do Circuito Banco do Brasil 2026 – Etapa Guarapari

Feminino

Semifinais

1 – Daniella Rosas (PER) 15.50 x Silvana Lima (BRA) 6.57
2 – Tainá Hinckel (BRA) 11.00 x Kiany Hyakutake (BRA) 9.33

Final

Tainá Hinckel (BRA) 15.50 x Daniella Rosas (PER) 11.00

Masculino

Semifinais

1 – Jadson André (BRA) 11.83 x Rodrigo Saldanha (BRA) 4.64
2 – Luan Wood (BRA) 13.44 x Pablo Gabriel Da Silva (BRA) 8.04

Final

Jadson André (BRA) 13.33 x Luan Wood (BRA) 12.60

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