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Pentacampeão mundial de Skimboard, Lucas Fink supera câncer na boca aos 22 anos e alerta surfistas sobre proteção labial no esporte.

Lucas Fink, bicampeão mundial de skimboard[caption id="attachment_3536333" align="alignnone" width="799"] [media-credit name="Mormaii/Divulgação" align="alignnone" width="799"][/media-credit] Lucas Fink é pentacampeão mundial de Skimboard.[/caption] Muita gente me pergunta como aconteceu. Para mim, foi uma lição de vida que veio da forma mais inesperada. Eu costumo dizer que o câncer de pele foi como mais uma lesão no esporte: assim como já torci o tornozelo, rompi ligamento ou quebrei o braço para aprender uma manobra ou ganhar um campeonato, eu tive que passar por isso para aprender a respeitar alguns limites. Eu tenho a pele muito clara, o cabelo e os olhos claros. Sou o perfil perfeito para o risco, mas a verdade é que eu pequei pela negligência. Eu sempre passava protetor no rosto, mas o lábio era algo que eu simplesmente ignorava. Tinha uma falta de conhecimento de que eu precisava usar um protetor labial, que era preciso ter uma atenção dobrada com a pele da boca. Lembro que, desde a infância, meu lábio ficava rachado e ardendo depois de muitas sessões de skimboard sob o sol, mas eu não dava atenção. E na minha cabeça de jovem de 18, 20 anos, eu pensava: “se um dia eu tiver um problema sério por causa disso, vai ser quando eu tiver uns 40 anos”. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, e cedo. O sinal que não sumia - Tudo começou a mudar em 2021. Meus pais estavam morando em Portugal e eu estava sozinho no Rio. Apareceu um machucado no meu lábio, daqueles que eu achava normais, por queimadura de sol. Só que, desta vez, ele não cicatrizava. Passaram-se semanas, meses, e a ferida continuava ali. Começou a surgir uma protuberância, uma casquinha que nunca caía. Não doía, não sangrava, mas estava ficando feio. A sorte foi que minha madrinha, a Patrícia Silveira, é dermatologista. Marquei uma consulta com ela para ver o que era aquele negócio feio, e ela já me encaminhou direto para o marido dela, que é microcirurgião. No momento em que cheguei lá e eles me examinaram, o clima mudou. Eles disseram: “pode ser câncer de pele”. [caption id="attachment_3675158" align="alignnone" width="1350"] [media-credit id=6883 align="alignnone" width="1350"][/media-credit] Lucas após cirurgia para retirada de melanoma no lábio.[/caption] O diagnóstico e o susto - Na hora, ali no consultório, eles fizeram uma biópsia. Deram uma mini anestesia, cortaram um pedacinho e mandaram para análise. Quando veio o resultado, foi o maior susto da minha vida. Eu tinha 22 anos e o diagnóstico era melanoma. Ouvir a palavra “câncer” associada ao seu nome é uma sensação bizarra. A ficha cai e você percebe o quanto foi negligente de ignorar os avisos. Foi muito mais difícil do que qualquer lesão física, porque é algo que não causa dor, você ignora, mas sabe que está ali. Foi angustiante. O tratamento e as marcas - Como o estado já estava avançado, precisei voltar para outra cirurgia, para tirar uma margem de segurança. Tive que remover cerca de 1 milímetro de diâmetro ao redor da área para garantir que não tivesse espalhado. Depois, ainda fiz um tratamento quimioterápico com uma pomada para dar uma “limpada” geral nas células do lábio. Fiquei três meses fora da água. Eu estava muito motivado a me cuidar e me curar totalmente, porque, naquele momento, meu principal objetivo era me tornar uma referência no skimboard de ondas gigantes. Ondas como Nazaré (Portugal) e Austrália eram picos que eu me planejava para desbravar. Segui minha rotina de treinos físicos fora da exposição solar, mas mesmo sair de casa para ambientes fechados era desafiador: eu tinha que usar máscara e uma pomada como forma de proteção naquele momento pós-cirúrgico. Ao longo dos dois anos seguintes, precisei fazer outros procedimentos. Sempre que aparecia qualquer manchinha diferente, eu voltava lá, eles raspavam e queimavam para garantir a cicatrização. Fiz isso umas cinco vezes. Meu lábio ficava com casquinhas enormes, era feio, mas era necessário. Uma nova rotina - Hoje, cinco anos depois, a situação está estabilizada. Faço check-ups anuais, mas o cuidado agora é inegociável. Eu não saio de casa sem proteger o lábio, uso protetor solar e labial constantemente. Às vezes as pessoas acham que passar algo no lábio não é “masculino”, mas eu quebrei essa barreira entre meus colegas surfistas, que acompanharam de perto o que aconteceu comigo. Hoje eu carrego essa bandeira como uma missão. Muitos colegas surfistas e seguidores me procuram pedindo dicas porque se impactaram com a minha história. Se o meu erro servir para que um moleque de 15 anos pare, passe o protetor labial e solar e não precise passar por uma cirurgia na boca como eu passei, minha missão está cumprida. O sol faz parte do surfe, mas a gente precisa aprender a trabalhar com segurança. Depois do melanoma, eu surfei as ondas gigantes de Nazaré de skimboard pela primeira vez.

source https://www.waves.com.br/noticias/long/novidade-long/surf-brasil-longboard-e-sup-em-baia-formosa/

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