Morre Alceu Toledo Junior, o Juninho, um dos pioneiros do jornalismo online de surfe no Brasil. Editor-chefe e diretor de conteúdo responsável pela construção do Waves, ele formou gerações e ajudou a desenvolver a comunicação do surfe nacional.
[caption id="attachment_3524441" align="aligncenter" width="604"] [media-credit id=6883 align="aligncenter" width="604"][/media-credit] Alceu Toledo Junior.[/caption] A comunidade do surfe brasileiro perdeu, na noite de quinta-feira, em São Paulo, o jornalista Alceu Toledo Júnior, aos 66 anos. Um dos pioneiros do jornalismo online de surfe no Brasil, Juninho atuou como editor-chefe e diretor do conteúdo do Waves durante algumas das fases mais importantes do portal, desde a fundação, em 1998. Anárquico, generoso e formador de dezenas de profissionais que hoje se destacam no mercado, Juninho atualmente trabalhava como editor do site e assinava a coluna “Anarquilha”, que combinava seu conhecimento de surfe e música. Além de consolidar o Waves no mercado brasileiro, Juninho teve passagens importantes em veículos como Hardcore, Alma Surf e Fluir - foi na revista, inclusive, seu primeiro contato com o surfe. Em todos os veículos, de alguma forma, deixou sua assinatura editorial. No Waves, onde ficou por 20 anos, em dois períodos, tornou-se mais do que uma liderança: passou a representar a fundação de uma cultura. Mais do que um editor, foi um formador. Ao longo de décadas, abriu portas para jornalistas, fotógrafos e colaboradores que hoje seguem ativos no mercado. Para muitos deles, foi o primeiro voto de confiança, a primeira oportunidade, o primeiro texto publicado e, em muitos casos, o início de uma trajetória dentro do próprio Waves. Entre os profissionais que passaram pela formação do Juninho, estão nomes como Nancy Geringer, Ricardo Macario, Ader Oliveira, Steven Allain, Fernando Iesca, Aleko Stergiou, Erick Nagata, José Roberto Annibal, Gerson Filho, Thiago Rausch, Mariano Kornitz, Herbert Passos, Sylvio Mancusi, Rafael Sobral e Xandão Barros, entre muitos outros. Direto, intenso, conhecido pelo temperamento forte e fiel às próprias convicções, Juninho ajudou a moldar não apenas conteúdos, mas pessoas. Seu estilo, por vezes duro, vinha acompanhado de algo ainda mais raro: a disposição de ensinar, provocar e fazer evoluir. A combinação do olhar crítico, combinado a esse compromisso com o desenvolvimento de quem estava ao seu redor, deixou marcas profundas em diferentes gerações da mídia do surfe. Juninho era dono de uma ampla cultura musical, com trânsito por distintos gêneros. Escreveu resenhas sobre suas bandas prediletas para veículos como Folha de S. Paulo e, num determinado momento do início da carreira, deixou de ser jornalista para ser empresário da banda punk Ratos de Porão, além de coautor de algumas músicas, em parceria com João Gordo. Era um notório fã de Frank Zappa, tendo dedicado vários textos ao músico e à sua banda. Santista fanático, virou um torcedor ilustre depois de sofrer um infarto durante a decisão do Campeonato Paulista 2007, entre seu time e o São Caetano, em 2007, na Vila Belmiro. O espírito anárquico e rebelde determinou também outras preferências. No surfe, era amigo e fã declarado de Dadá Figueiredo. No mural da mesa em que trabalhava, em seu quarto, Juninho conservava uma foto antiga ao lado do surfista e, ao lado, uma prancha original Necrose Social. Dono de uma personalidade única, inquieta e autêntica, Juninho jamais passou despercebido durante a carreira. Neste momento, o Waves se solidariza com familiares e amigos. Juninho deixa três filhos, Caio, Daniel e Luiza, frutos do relacionamento com sua ex-mulher, a jornalista Célia Almudena. Seu legado permanece vivo em cada profissional que ajudou a formar e na história do próprio surfe brasileiro. Em breve, o Waves atualizará o texto com informações sobre o velório e a cremação, que devem ocorrer neste sábado, em São Paulo.source https://www.waves.com.br/noticias/juninho-eterno/
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