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Brasileira Michelle des Bouillons surfa onda estimada em 24,99 metros em Nazaré, Portugal, marca que pode superar o atual recorde mundial feminino.

Michelle des Bouillonshttps://youtu.be/fQWvgBJCFCA A brasileira Michelle des Bouillons pode ter protagonizado um momento histórico no surfe de ondas gigantes. No dia 13 de dezembro de 2025, na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, a surfista pegou uma onda que pode se tornar a maior já registrada por uma mulher. A sessão aconteceu durante uma etapa do WSL Big Wave Challenge. Um estudo técnico preliminar encomendado pela própria atleta indica que a onda teria cerca de 24,99 metros de altura, superando o atual recorde feminino de 22,4 metros, estabelecido pela também brasileira Maya Gabeira em 2020, no mesmo pico. Se a medição for confirmada oficialmente, Michelle entrará para a história do surfe de ondas gigantes. A onda A oportunidade surgiu logo no início da bateria. Michelle foi posicionada para a série pelo piloto de jet ski Ian Cosenza, seu parceiro de equipe, quando um novo set começou a se formar no outside de Nazaré. Mesmo com anos de experiência no local — esta era sua nona temporada surfando em Nazaré — a dimensão da onda chamou atenção. Em entrevistas após o swell, Michelle contou que já imaginava que aquele momento poderia representar a maior hora do mar naquela bateria e decidiu apostar em uma linha mais direta e arriscada na descida. Segundo ela, a ideia era simplesmente encarar a montanha de água da forma mais limpa possível, sem tentar manobras. “Essa onda era para ser gigante, não para manobrar.” Durante o drop, a surfista relatou ter sentido a real dimensão da parede de água quando a sombra da onda começou a cobri-la e o lip quebrou com força na base. [caption id="attachment_3666083" align="alignnone" width="4743"] [media-credit id=20591 align="alignnone" width="4743"][/media-credit] Michelle des Bouillons durante o Tudor Nazaré Big Wave Challenge 2025, em onda estimada em praticamente 25 metros na Praia do Norte, Portugal.[/caption] A dimensão do feito A percepção da importância da onda veio pouco depois, com a reação de outros nomes do surfe de ondas gigantes. Surfistas como Rodrigo Koxa e Lucas Chianca (Chumbo) incentivaram Michelle a iniciar o processo de validação do possível recorde. O próprio Bill Sharp, referência histórica do big wave e responsável pelo processo de avaliação das maiores ondas da temporada, assistiu à onda ao vivo e posteriormente comentou com a equipe que aquela havia sido um dos grandes momentos do dia. O processo de medição O reconhecimento oficial ainda depende de uma análise técnica detalhada. Um dos primeiros laudos foi elaborado pelo especialista brasileiro Paulo Vinicius Lopes, responsável também pela medição da onda recorde de Rodrigo Koxa em 2017. O método utilizado envolve análise quadro a quadro de vídeo, buscando identificar o momento de maior expressão vertical da onda — quando o lip encontra a base. Para criar uma referência proporcional na imagem, os analistas utilizam uma medida real do corpo da surfista. No caso de Michelle, foi usada a medida da própria canela, registrada previamente com trena. A partir dessa referência, a altura total da onda é projetada. A medição preliminar apontou 24,99 metros, com margem de erro estimada em cerca de 5%. [caption id="attachment_3666067" align="alignnone" width="4743"] [media-credit id=22471 align="alignnone" width="4743"][/media-credit] Michelle des Bouillons e parceiro Ian Cosenza em Nazaré.[/caption] Validação Atualmente, a homologação das maiores ondas da temporada passa pela análise conduzida por Bill Sharp, criador do Big Wave Awards, antes de ser encaminhada ao Guinness World Records. A temporada de ondas gigantes costuma ser encerrada em abril, quando são finalizadas as análises das maiores ondas surfadas durante o inverno no Atlântico Norte. Michelle afirmou em entrevistas que está otimista com o processo, mas reconhece que a confirmação oficial ainda depende das avaliações finais. “A temporada ainda não acabou, então não posso dizer hoje que você é a recordista”, contou a surfista ao relatar uma conversa com Bill Sharp. Com quase uma década dedicada ao surfe de ondas gigantes e Nazaré como palco central de sua trajetória, Michelle segue aguardando a conclusão da análise técnica que pode confirmar um dos maiores feitos da história do surfe feminino. Michelle des Bouillons em depoimento emocionante ao Waves no final de 2025  "O dia em questão foi memorável. Creio que o mar apresentou as maiores e mais perfeitas ondas que presenciei nas últimas sete ou oito temporadas em Nazaré. Foi uma experiência singular, coincidentemente durante o campeonato AWSL, o Nazaré Tow Surfing Challenge. Participei da primeira bateria e, como é sabido, a etapa inicial sempre apresenta desafios adicionais. A falta de parâmetros estabelecidos e a avaliação dos demais atletas tornam cada bateria complexa. Entretanto, o lado positivo foi o tamanho imponente do mar durante a manhã, que gradualmente perdia força ao longo do dia. Nossa estratégia consistiu em entrar na água e ter a oportunidade de surfar a maior onda do evento. Juntamente com meu parceiro de tow-in, Ian Cosenza, que competiu comigo e me rebocou nas ondas, analisamos minuciosamente as ondas, buscando a melhor posição para o lançamento. A onda surgiu, imponente. Ao perceber a dimensão da onda, e com a certeza de que seria a escolhida, concentrei-me na descida. Fui direcionado para a base, onde a sombra da onda me envolveu completamente. Foi nesse momento que iniciei a manobra de bottom turn, sentindo o impacto da espuma. A primeira rajada atingiu minha perna, mas mantive o foco. Contando com excelente equipamento, uma prancha da SPO, e com o apoio do shaper Hugo Cartachana e dos resgatistas Paulo Diego Imbica, e a assistência dos safeties do campeonato, incluindo Daniel Rangel na minha bateria, resisti a uma segunda investida da espuma. Embora não tenha conquistado a vitória, o maior prêmio foi a oportunidade de surfar aquela onda, um presente do oceano. A experiência foi verdadeiramente marcante."

source https://www.waves.com.br/expedicao/portugal/nazare-michelle-pode-bater-recorde-mundial/

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