Pular para o conteúdo principal

Alejo Muniz informa que se aposenta no fim da temporada 2026 do CT, para encerrar carreira marcada por resiliência e legado na World Surf League.

Alejo Muniz[caption id="attachment_3640020" align="alignnone" width="3840"] [media-credit id=22040 align="alignnone" width="3840"][/media-credit] Alejo Muniz abandona competições ao final desta temporada e deixa um legado de muita garra no Tour.[/caption] Alejo Muniz encerrará sua carreira competitiva no surfe mundial ao final da temporada 2026, quando disputará seu último evento do CT, programado para o Lexus Pipe Masters, no Havaí. Argentino de nascimento e brasileiro de coração, o surfista construiu uma trajetória marcada não apenas por resultados, mas por uma das histórias de retorno mais emblemáticas da WSL. Muniz se classificou para o CT em 2011 e causou impacto imediato ao terminar sua temporada de estreia como 10º do mundo, um feito de destaque que o apresentou como um forte concorrente entre a elite global. Ele conquistou respeito por seu surfe potente e completo, com heat wins memoráveis contra lendas como o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater em Pipeline. Além do CT, Muniz construiu um legado sólido no QS, com grandes vitórias em eventos prestigiados como o Vans US Open of Surfing, Ballito Pro e Hang Loose Pro. Em 2022, venceu o evento em casa, em Mar del Plata, na Argentina, além do Circuito Banco do Brasil de Surfe, em Ubatuba (SP), no mesmo ano. Presença constante entre a elite entre 2011 e 2016, Alejo viveu depois a mais longa ausência já registrada por um atleta do CT: oito anos fora do Tour. O período foi marcado por lesões graves, incluindo cirurgias em ambos os joelhos, além de campanhas frustrantes no QS e no CS, sempre ficando muito perto da tão aguardada reclassificação. “Voltar ao CT depois de oito anos foi um verdadeiro sonho. Foi muito mais emocionante do que a primeira vez. Estar mais velho agora, depois de duas cirurgias e de bater tantas vezes na porta sem conseguir entrar, exigiu muito mais do meu corpo e da minha mente. Eu precisava provar para mim mesmo que ainda era capaz”, relembra Muniz. O retorno foi finalmente garantido ao fim de 2024, via CS, com a confirmação da vaga para a temporada 2025. No CT, porém, os resultados foram irregulares. Seus melhores desempenhos foram um nono lugar no Surf City El Salvador Pro e um terceiro lugar (empate) no Bonsoy Gold Coast Pro, na Austrália. Entre altos e baixos, ele chegou ao último evento antes do Mid-season Cut, em Margaret River, precisando, no mínimo, alcançar as Quarterfinals para permanecer entre a elite. Eliminado na segunda fase, Alejo passou a depender de uma combinação improvável de resultados, e tudo acabou acontecendo. Todos os surfistas que poderiam ultrapassá-lo foram sendo eliminados ao longo do evento, restando apenas Imaikalani deVault (HAV), que precisaria vencer a etapa. A eliminação de DeVault nas Quarterfinals garantiu matematicamente a permanência de Alejo no CT. Muniz encerrou o ano com 14.725 pontos, apenas 275 pontos à frente de Matthew McGillivray (AFR), o primeiro surfista fora da zona de classificação, uma margem mínima que simboliza como foi apertada a conquista de sua vaga. Integrante da primeira geração da Brazilian Storm, Muniz se orgulha do papel que desempenhou em um dos períodos mais vitoriosos do surf brasileiro. Para ele, seu principal legado vai além de troféus. “Tenho muito orgulho de ter feito parte da Brazilian Storm. Minha marca não foi baseada apenas em resultados ou performance, mas em disciplina, comprometimento e profissionalismo. Esse é o exemplo que eu gostaria de deixar, inclusive para o meu filho: nunca desistir, ser profissional e manter a disciplina”, afirmou Muniz. As lesões, apesar de duras, também ajudaram a moldar sua jornada. “Claro que ninguém quer se machucar, mas hoje vejo que elas acabam trazendo beleza para a minha carreira. Me fizeram crescer, me tornaram mais forte e mostraram o quanto eu amo surfar. Quando você fica sem, é que aprende a valorizar”, refletiu. Com uma vida inteira conectada ao esporte — seu pai comanda uma escola de surfe há três décadas —, Alejo resume sua relação com o oceano de forma direta. “O surfe é tudo para mim. Me deu sustento, amizades, oportunidades, me levou a lugares que eu nunca imaginei e me deu a família que tenho hoje. Eu devo tudo ao surfe”, destacou. Olhando para frente, o plano é claro: viver intensamente o último ano no Tour. “Quero aproveitar meu último ano no CT da melhor forma possível, ser o mais profissional que eu puder. Depois da carreira, quero viajar em surf trips, ir a lugares onde nunca consegui competir e, talvez, passar tudo o que aprendi para a próxima geração. Eu sei o quanto é importante ter alguém ao lado do atleta”, projetou. Ao se despedir do CT em 2026, Alejo Muniz deixa o Tour como símbolo de persistência, profissionalismo e amor dedicado ao surfe — valores que ajudaram a construir não apenas a sua própria história, mas também um capítulo importante do surf brasileiro no cenário mundial.

source https://www.waves.com.br/expedicao/portugal/big-wave-challenge-fabiano-wainberg-e-finalista/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Carlos Burle estreia Bravamente, novo podcast de histórias inspiradoras. Série reúne entrevistas que mostram como esporte transforma vidas.

https://youtu.be/-s5QiotecjY O surfista e campeão mundial de ondas grandes Carlos Burle estreia nesta quarta-feira (25) o podcast Bravamente, série documental em áudio e vídeo que revela como o esporte tem sido, para muitos, mais do que uma prática física — uma verdadeira ponte para o equilíbrio emocional, propósito e oportunidades no mercado profissional. Com 12 episódios quinzenais e duração entre 15 e 40 minutos, o programa será lançado no YouTube (@bravamente_oficial) e no Spotify (Brava•Mente). A cada edição, Burle conduz conversas autênticas com personagens que têm o esporte como parte essencial da vida, em narrativas que misturam emoção, disciplina, superação e reconexão com o corpo e a mente. Entre os entrevistados da temporada estão nomes como Brenda Moura, promessa do surfe e skate brasileiro; Morongo, fundador da Mormaii; Walter Chicharro, ex-presidente da Câmara de Nazaré, em Portugal; e Trennon Paynter, treinador da equipe olímpica canadense de esqui. Também participam exe...

A história do Havaí

Reprodução Estátua de Kamehameha I em Hilo, Big Island. Nesta quinta-feira (11), o Havaí celebra o feriado Kamehameha Day, que homenageia o rei Kamehameha I, responsável pela unificação do arquipélago, em 1810. Mais de dois séculos depois de sua morte, Kamehameha e sua família ainda estão muito presentes na cultura do Havaí. Mas para relembrar o legado deste líder, o principal da história havaiana, é preciso viajar no tempo, até meados do século VII… Devido a sua localização no Pacífico, o Havaí permaneceu desabitado por milênios. A presença humana por lá começou por volta dos anos 600 e 1000, com os primeiros assentamentos polinésios. Eles navegaram em canoas, a partir das Ilhas Marquesas, a quase 4 mil km de distância. Por volta de 1.600, com uma população de cerca de 150 mil, o Havaí era tomado por conflitos internos e o contato com o mundo exterior era limitado. A primeira expedição oficial europeia a chegar no local foi registrada em 18 de janeiro de 1778, a terceira viage...

Jack Johnson e Rob Machado partem para Bali, Indonésia, curtem boas ondas de Uluwatu e promovem show juntos.

https://www.youtube.com/watch?v=1lWFR0vSQqU&list=RD1lWFR0vSQqU&start_radio=1 Jack Johnson e Rob Machado partem para Bali, Indonézia, e promovem uma performance ao vivo muito especial nas Uluwatu Surf Villas, com vista para a icônica Uluwatu. Sendo ambos artistas e surfistas, não seria um show em Uluwatu sem antes um pouco de surfe. O dia começou com sessão de Jack Johnson e Rizal Tanjung, um dos maiores nomes do surfe indonésio. O mar estava com condições ideais, e Jack aproveitou para mostrar que, além de músico consagrado, continua sendo um surfista de respeito. Rizal, por sua vez, filmou a queda com uma GoPro Uma das maiores partes do surfe é esperar pelas ondas no outside, e é durante esse tempo que boas conversas acontecem, mas raramente são documentadas. Enquanto Jack e Rizal esperam por uma série, Jack conta sobre seu processo de composição, abordando como Rodeo Clowns e F-Stop Blues surgiram, e também relembra sua primeira viagem a Bali em 92. Pouco depois, Rob se junta...