Rodrigo Koxa e Michelle de Boullions falam com exclusividade sobre possível quebra de recordes mundiais de ondas grandes em Nazaré, Portugal.
[caption id="attachment_3666083" align="alignnone" width="4743"] [media-credit id=20591 align="alignnone" width="4743"][/media-credit] Michelle des Bouillons durante o Tudor Nazaré Big Wave Challenge 2025.[/caption] O universo de ondas grandes está em ebulição com a provável quebra de recordes mundiais dos brasileiros Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons. Local de Guarujá, Koxa pegou uma onda monstruosa de aproximadamente 30 metros durante o Nazaré Big Wave Challenge, realizado no início do mês na Praia do Norte, Nazaré, Portugal. No mesmo evento, a carioca Michelle des Bouillons pode ter batido o recorde entre mulheres da também carioca Maya Gabeira, em 2020, cerca de 22 metros em Nazaré. A avaliação de quebra de recordes foi feita pelo português Paulo Vinicius Lopes, surfista, designer e cineasta, especialista em ondas grandes. É dele a avaliação da onda de Koxa em 2017, quando o brasileiro entrou para o Livro dos Recordes. "Não dá para ter certeza de que vai haver quebra de recorde. Mas é a tendência se as ondas forem medidas corretamente", diz o especialista. "Para medir, eu pego o tamanho da canela do surfista, analiso onde é o topo e a base da onda, e multiplico. Depois eu preparo um material e mando para todo mundo. Foi assim em 2017, quando eu enviei tudo do Koxa para a World Surf League", explica Paulo Vinicius Lopes. Confira abaixo, depoimentos de Michelle des Bouillons e Rodrigo Koxa, com exclusividade para o Waves, sobre a experiência em Nazaré e a expectativa da possível quebra de recorde mundial de ondas grandes. Michelle des Bouillons O dia em questão foi memorável. Creio que o mar apresentou as maiores e mais perfeitas ondas que presenciei nas últimas sete ou oito temporadas em Nazaré. Foi uma experiência singular, coincidentemente durante o campeonato AWSL, o Nazaré Tow Surfing Challenge. Participei da primeira bateria e, como é sabido, a etapa inicial sempre apresenta desafios adicionais. A falta de parâmetros estabelecidos e a avaliação dos demais atletas tornam cada bateria complexa. Entretanto, o lado positivo foi o tamanho imponente do mar durante a manhã, que gradualmente perdia força ao longo do dia. Nossa estratégia consistiu em entrar na água e ter a oportunidade de surfar a maior onda do evento. Juntamente com meu parceiro de tow-in, Ion Cosentza, que competiu comigo e me rebocou nas ondas, analisamos minuciosamente as ondas, buscando a melhor posição para o lançamento. A onda surgiu, imponente. Ao perceber a dimensão da onda, e com a certeza de que seria a escolhida, concentrei-me na descida. Fui direcionado para a base, onde a sombra da onda me envolveu completamente. Foi nesse momento que iniciei a manobra de bottom turn, sentindo o impacto da espuma. A primeira rajada atingiu minha perna, mas mantive o foco. Contando com excelente equipamento, uma prancha da SPO, e com o apoio do piloto Hugo Cartashana e dos resgatistas Paulo Diego Imbica, e a assistência dos safeties do campeonato, incluindo Daniel Rangel na minha bateria, resisti a uma segunda investida da espuma. Determinei-me a completar a onda, mesmo que o campeonato tenha sido interrompido. Embora não tenha conquistado a vitória, o maior prêmio foi a oportunidade de surfar aquela onda, um presente do oceano. A experiência foi verdadeiramente marcante. [caption id="attachment_3666642" align="alignnone" width="1280"] [media-credit id=22590 align="alignnone" width="1280"][/media-credit] Rodrigo Koxa naquela que pode ser a maior onda surfada na história. Nazaré Big Wave Challenge, Praia do Norte, Portugal.[/caption] Rodrigo Koxa Foi com grande entusiasmo que vivi uma experiência notável em Nazaré. Aquela onda, para mim, foi singularmente especial. Considero a mais extraordinária que já surfei naquele local. Pela sua formação, pelo nível de comprometimento exigido, vejo nela uma evolução pessoal e do meu time em Nazaré, com o apoio de Vitor Faria. Há muito tempo, acompanhamos o comportamento dessa onda quando quebra próxima à pedra. Costumamos dizer que Nazaré é um lugar de milagres. Quando a onda se encaixa no "Canhão", com todas as características propícias – direção, encaixe –, passamos horas aguardando que duas ondas gigantes se alinhem. Eu e Vitor, em particular, desenvolvemos uma leitura e estratégia que se mostraram eficazes desta vez. Trabalhamos em equipe, focados na segurança e na estratégia. A onda de Nazaré, com a convergência de ventos oeste e noroeste, quando se forma no primeiro pico de maneira perfeita, é algo impressionante. Nessa ocasião, concentramo-nos em um aspecto: a terceira onda da série. A primeira, quando encaixada, aparece em um ponto onde a correnteza é mais forte, limpando a água. A segunda, muitas vezes, é a que surfamos quando o mar está muito grande. Ela não possui a mesma forma definida, mas sim um formato mais pesado. No entanto, a terceira, que para mim representa o ápice, o milagre do milagre, foi a onda que se apresentou desta vez. Após observar a segunda onda, sentimos o impulso de surfar, mas, lembrando das lições aprendidas, recuamos. Aguardamos a terceira, que entrou com uma forma singular, encaixando-se em um formato especial. Foi como encontrar um diamante. A experiência foi incrível, diferente das demais. A onda surgiu no primeiro pico, colada à pedra, com um drop vertical. O risco foi muito maior. Optei por essa onda, preferindo a adrenalina do desafio do que uma onda comum. A velocidade e a transformação da onda foram únicas, parecendo um "slab". Vibrei ao pegá-la. O Vitor, com excelência, me posicionou perfeitamente. Soltei a corda, vendo a onda se transformar rapidamente, parecendo que iria me engolir. No instante em que alcancei a base, senti medo. Mas consegui superar. Essa onda foi uma celebração, não apenas para mim, mas para todos que estavam no mar. A repercussão foi imediata. As imagens aéreas revelaram a beleza e a complexidade da onda. As fotos subaquáticas reforçaram a sua singularidade. Me recordou de outras ondas de pedra, mas com a dimensão e a força de um tubo gigante. Foi o diamante da minha vida. Posteriormente, as medições estimaram a onda em aproximadamente 29 metros. Foi algo muito orgânico, resultado de uma vida dedicada à paixão pelo esporte. Nazaré reúne diversos tipos de ondas, de diferentes partes do mundo, em um só lugar. É um local único. Essa onda representa o meu diamante nazareno. Não a trocaria por nada. Sinto-me muito feliz e grato. Foi um presente, um presente de Deus e do meu time. Convido a todos a assistir ao último episódio do nosso canal, onde compartilhamos a alegria, a cumplicidade e a essência do big surf, celebrando a irmandade e o espírito de equipe. https://youtu.be/Fsfj2WYYv5I?si=e2UyKvh-85EVEXlq Assista mais vídeos no canal GoBigger Team Nazaré.source https://www.waves.com.br/expedicao/portugal/nazare-gigante-brasileiros-miram-recorde/
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