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Coluna Museu do Surfe traz história do carioca Paulo Proença, também conhecido como Rato, ícone do lendário Pier de Ipanema (RJ).

[gallery td_select_gallery_slide="slide" ids="3664111,3664113,3664112,3664115,3664116,3664114,3664118,3664119,3664117,3664120,3664121"] Entre as histórias que moldaram o surfe brasileiro, poucas são tão marcantes quanto a de Paulo Proença, o lendário “Rato”. Carioca de Copacabana, ele transformou a paixão pelas ondas em um estilo de vida que atravessou fronteiras e ajudou a formar a identidade do surfe nacional. Os avós maternos, Ione e Danton Coelho, mudaram-se do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro, então Capital Federal. Danton foi Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio de Getúlio Vargas, em 1951. Na cidade, a filha do casal, Beatriz Danton Coelho, conheceu José Augusto Proença Gomes, exímio remador do Flamengo. O casal teve quatro filhos: as meninas Carla e Andréa e os meninos Paulo, nascido em 3 de dezembro de 1952, e Zeca, em 1958. Criados na Avenida Atlântica, no Posto 5, em Copacabana, os irmãos cresceram sob o som do mar e o espírito livre da praia. Paulo estudou no Colégio Brasileiro de Almeida, mas como aprontava muito, os pais transferiram o menino para o Colégio Interno Getúlio Vargas, em Nova Friburgo. Desde cedo, Paulo se destacou nos esportes. Começou no judô e chegou a ser bicampeão brasileiro, antes de trocar o tatame pelas ondas. Ganhou sua primeira prancha das mãos de Cyro, Mário Bração e Piuí, e nunca mais saiu da água. A rotina girava entre Copacabana, Arpoador, Macumba e Prainha, territórios sagrados para os pioneiros do surfe carioca. Em 1971, a construção do Píer de Ipanema mudou o cenário: o Arpoador parou de dar ondas, mas o Píer se tornou o novo pico dos tubos perfeitos e de uma geração que revolucionaria o surfe brasileiro. Foi nesse ambiente que Paulo passou a conviver com Betão, Bocão, Fedoca e os irmãos Pacheco, nomes que marcariam época. Com Otávio Pacheco, Paulo montou uma pequena fábrica artesanal de parafinas, a Cera Ego. Pouco depois, os dois embarcaram em uma viagem de Kombi até o Peru e a Califórnia, acompanhados por Alexandre Xuxa e Nelsinho. No Peru, em 1972, conheceram Gustavo, surfista local que representava a famosa parafina californiana Waxmate. O encontro mudaria seus rumos: Paulo e Otávio voltaram ao Brasil com a fórmula e os direitos de fabricação, e fundaram em Saquarema a fábrica nacional de parafinas Waxmate. Saquarema se tornou o novo lar de Paulo, que dividia as estações entre a produção e as viagens. No inverno, dedicava-se à fábrica; no verão, partia para o Havaí, deixando o comando com Zeca e Fábio Pacheco. Nessas temporadas, Paulo consolidou sua projeção internacional: foi juiz do prestigiado Duke Kahanamoku Invitational, viveu anos na Indonésia, onde montou uma fábrica de parafinas em Bali. No Brasil, Rato brilhou nas competições. O surfista goofy destacou-se no Festival Nacional de Surf de Saquarema de 1976, conquistando o segundo lugar, atrás apenas de Daniel Friedmann. Também pertenceu a equipe Magno de surfe e participou de eventos lendários como o Gunston 500, na África do Sul, em 1976, antes de seguir com os amigos para J-Bay, onde tornou-se um dos primeiros surfistas a domar a gelada direita sul-africana de backside. O apelido “Rato” surgiu nas areias do Rio, herança do surfista Rafael Gonzalez, o primeiro a carregar esse nome — símbolo dos que viviam o verdadeiro espírito de praia. Paulo, sempre bronzeado, o adotou com orgulho e o levou consigo por toda a vida. Paulo Proença, pai de Jéssica, faleceu em 8 de outubro de 2014. O surfista, radical na terra e no mar, às vezes incompreendido pelo temperamento arredio, era muito alegre e irreverente. De Copacabana a Saquarema, dos tubos do Píer às direitas de Itaúna, sua trajetória ajudou a moldar a alma do surfe brasileiro — uma história feita de mar, coragem e paixão. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi – o Pardhal.    

source https://www.waves.com.br/noticias/competicao/profissional/olasprotour-etapa-comeca-nesta-quinta-na-macumba/

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