Colunista Alceu Toledo Junior resgata alguns dos melhores e piores momentos dos Jogos Olímpicos encerrados em Teahupoo, Taiti.
[caption id="attachment_3605096" align="alignnone" width="4500"] [media-credit id=22443 align="alignnone" width="4500"][/media-credit] João Chianca faz bateria épica nos Jogos Olímpicos.[/caption] Eu não ficava tão adrenado com alguma coisa desde 2011, quando o meu Santos FC, ainda nas alturas, vencia a tão sonhada terceira Libertadores no Pacaembu, contra o time do Peñarol, do Uruguai. Mas, nesta segunda-feira salgada, prendemos a respiração ao longo de todo o dia para terminar o dia com duas medalhas, prata para Tatiana Weston-Webb, e bronze para Gabriel Medina. A seguir, alguns dos altos e baixos dos Jogos Olímpicos 2024. [caption id="attachment_3605026" align="alignnone" width="8256"] [media-credit id=22444 align="alignnone" width="8256"][/media-credit] Gabriel Medina na melhor onda dos Jogos Olímpicos.[/caption] Medina X Jack Robinson - Impressionante, decepcionante, frustrante e broxante. Mas, não vi o Medina perder para o Jack Robinson. Nem dá para dizer que ele perdeu para si mesmo, cometendo uma série de enganos na bateria. Dono da melhor onda do campeonato, um 9.90 gigantesco na revanche histórica contra o japonês Kanoa Igarashi, algoz em Tóquio, para mim ele perdeu para Teahupoo, uma onda temperamental nas finais, pois abria com tubos inesperados para alguns, como simplesmente sumia por vários e longos minutos sem dar o ar de sua graça, ou neste caso, dá licença, de desgraça. Mas é um exagero falar em falar em desgraça, claro. Afinal, Medina não volta de mãos abanando e parecia estar bastante feliz com bronze durante entrevista para o Pedro Scooby, do canal CazéTV. Em contrapartida, o fenômeno do flat se abateu contra Jack Robinson na bateria final contra o local Kauli Vaast e ali o australiano sentiu na pele os efeitos da ondulação rarefeita. Coisas que acontecem, pois os ventos da vitória de Vaast já vinham sendo sentidos desde uma bateria equilibrada contra o compatriota Joan Duru nas quartas de final. Duelo de Titãs - A melhor bateria do campeonato, disparada, justamente no melhor dia de onda, foi João Chianca (18.10) contra o marroquino Ramzi Boukhiam (17.80) numa trocação de tubos e de reviravoltas no placar sem que ninguém fosse capaz de adivinhar um campeão. No final, vitória explosiva de Chumbinho, um capricho do destino para o local de Saquarema que viveu um drama no início do ano ao sair inconsciente do mar em Pipeline. Por outro capricho do destino, ele teve que pegar um adversário indigesto em seguida e foi eliminado por Gabriel Medina. Mas, entre nós, surfistas, ele leva um prêmio não de consolação, mas de profunda admiração pela coragem, audácia e atitude nos tubos de Teahupoo no melhor dia de onda no campeonato. [caption id="attachment_3605283" align="alignnone" width="6779"] [media-credit id=22444 align="alignnone" width="6779"][/media-credit] Tatiana Weston-Webb já era nota 10 em Teahupoo e sai dos Jogos Olímpicos com medalha de prata super merecida.[/caption] O mapa das minas - Tatiana Weston-Webb mostrou porque é nota 10 em Teahupoo de responsa. Encarou todas as advesárias com altivez, repertório e um preparo físico invejável ao longo de todo o campeonato. Pegou pelo menos duas baterias relativamente tranquilas, contra a espanhola Nadia Erostarbe nas quartas e na semi contra a menina de Costa Rica, Brisa Hennessy. Na final, achei que houve uma certa boa vontade na melhor onda da americana Caroline Marks. Em contrapartida, talvez tenha faltado um pouco mais de boa vontade na avaliação da onda que a levaria à virada e ao topo do pódio. O ponto alto foi derrotar a americana Caitlin Simmers, simplesmente atropelada em Teahupoo por 12:34 a 1.93, ela que é número 1 do ranking WSL e chegava ao Taiti com um certo favoritismo. Como a primeira brasileira medalhista olímpica, Tati merece todo o nosso reconhecimento, admiração e gratidão pela ótima performance. As outras meninas, Luana Silva e Tainá Hinckel, foram discretas e fica a torcida pela evolução. Afinal, ainda são bem jovens e devem se aprimorar neste mundo do surfe competitivo. Decepções - O havaiano John John Florence certamente sai bastante decepcionado com sua performance. A eliminação diante do aussie Jack Robinson foi doída, depois de boiar praticamente toda a bateria. Ele mandou bem na primeira fase, mas frustrou seu público com uma atuação pífia, muito aquém da esperado pela galera e mídia especializada em geral. Filipe Toledo também decepciona. Afinal, é um bicampeão mundial. Porém, todavia e infelizmente, onda grande e buraco não é sua especialidade. Ele ainda deu azar de quebrar a prancha numa onda em que poderia ter virado contra o japonês Reo sei lá o quê, um ilustre desconhecido que parecia muito contente por estar circulando anonimamente entre os melhores do mundo. Porém, isso são Jogos Olímpicos e até as zebras têm seus 15 segundos de fama para sempre por uma glória ocasional. CazéTV - Apesar de admirar o carisma e o surfe do Pedro Scooby, não aprecio o estilo Galvão Bueno de transmissão ufanista, um misto de Buzina do Chacrinha com a cobertura medieval da távola redonda futebolística da TV Gazeta, um insucesso de audiência ao longo dos anos, com seus quebra-paus incendiários. Nada contra, cada um com sua vocação, mas prefiro uma coisa mais séria, mais técnica, mais tática, mais didática para o grande público. Então, para mim os melhores momentos da transmissão ficaram por conta do chat, em que até os haoles, por exemplo, notaram um certo favorecimento para Caroline Marks contra Tatiana Weston-Webb. Por outro lado, foi legal ver o Scooby alertar para a presença controvertida do juiz australiano Ben Lowe, depois de ser flagrado em foto com Ethan Ewing e outro cara que esqueci o nome. Detalhe, o canal Por Dentro do Tour já havia cantado esta bola, porém, a publicação aqui no Waves não teve o mesmo alcance do que a denúncia feita por Scooby, que mandou muito bem. Pra finalizar, ainda no calor das baterias recém-encerradas, foi bem legal abrir o portal UOL e ver Tatiana e Medina em destaque no noticiário de um dos maiores portais do país. Parabéns, para os dois. Chegaram na maior equipe do surfe e beliscaram duas medalhas. As duas muito importantes para que o surfe trilhe glória olímpica no Brasil e estimule o surgimento de novos talentos em todo o país. Se o sucesso do surfe também estimular o crescimento da indústria, aí sim seremos todos campeões e poderemos sonhar com dias ainda melhores no esporte dos Kahunas havaianos.source https://www.waves.com.br/colunas/anarquilha-3/jogos-olimpicos-caldos-e-rescaldos-de-teahupoo/
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