Pular para o conteúdo principal

Como proteger o mar

Confira abaixo as cinco regras que devem ser seguidas para proteger o oceano.

Surfar, velejar, nadar, passear pelas praias: claro, os seres humanos adoram os mares —além de precisarem deles para sobreviver. Apesar disso, tratam da pior forma possível essas extensões de água que cobrem mais da metade do planeta, como se fossem inesgotáveis e invulneráveis.

A consciência sobre a necessidade de protegê-los aumenta, mas ainda há muito o que fazer. Veja as cinco maiores ameaças de fabricação humana para os oceanos, e por que se deveria tentar salvá-los o mais breve possível – enquanto ainda se tem chance.

1 Parar a pesca exterminadora

Peixes e frutos do mar são alimento saudável. Mais ainda: em todo o mundo, sobretudo em nações em desenvolvimento, muitos dependem dessas fontes proteicas marinhas para sobreviver. Antigamente a humanidade só pescava tanto quanto a natureza podia repor. Mas esse equilíbrio foi destruído.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), quase um terço dos estoques pesqueiros do mundo já foi esgotado, mais da metade está no limite máximo. Durante muito tempo considerou-se que a solução seria criar peixes em culturas aquáticas. Na realidade, porém, elas até pioram a situação.

Ironicamente, a criação industrial em massa, por exemplo em grandes gaiolas ao longo dos litorais, exige enormes quantidades de peixes e frutos do mar —afinal, os animais nos viveiros também precisam ser alimentados. Além disso, os excrementos e medicamentos das fazendas pesqueiras poluem as águas vizinhas e propiciam a disseminação de doenças. Para corrigir a situação, seriam necessárias quotas de pesca rigorosas e, no geral, uma melhor gestão das reservas pesqueiras.

As populações têm melhores chances de recuperar se forem deixadas em paz por um período. Mas para que isso funcione, é preciso agir a tempo. Do ponto de vista do consumidor, o conselho seria só comer peixes e frutos do mar em quantidades moderadas, atentando para que tipo de animal vem de que parte do mundo.

2 Evitar que o mar fique azedo

Embora as emissões de dióxido de carbono tenham se multiplicado desde o início da industrialização, a concentração do gás poluidor na atmosfera só aumentou 40%. O motivo é que os oceanos assimilam CO2, que é solúvel em água, e assim desaceleram a mudança climática. Só que o preço ecológico também é alto. Quando o CO2 se dissolve na água, gera-se ácido carbônico. Em 1870, o pH (coeficiente de acidez) médio do mar era 8,2. Atualmente está em 8,1, devendo, segundo certos prognósticos, chegar a 7,7 até o ano 2100. Essa variação parece mínima, mas significa que os oceanos conterão 150% mais acidez, tornando inviável a vida para muitas espécies.

Sobretudo certos moluscos deixarão de se reproduzir, acabando por extinguir-se. Também extremamente sensível à acidificação é o plâncton, fonte microscópica de alimento para numerosos peixes e mamíferos marinhos. Em 2005, o declínio das fazendas de ostras no litoral da Califórnia, EUA, ilustrou de forma dramática as consequências desse processo: a água do mar tornou-se ácida demais para as larvas das ostras, que foram exterminadas —e com elas, todo esse setor industrial na região.

Para conter a acidificação dos oceanos é preciso reduzir as emissões de dióxido de carbono, o mais rápido possível.

3 Deixar o mar menos morno e pálido

Os mares não absorvem apenas CO2, mas também cerca de 93% do calor produzido pelas emissões de gases-estufa.

A consequência inevitável, contudo, são águas oceânicas mais quentes. Para muitos organismos submarinos, como os corais, isso representa um grande problema. Corais são animais que desenvolvem carapaças rígidas de calcário e mantêm simbiose com algas coloridas e ativamente fotossintéticas, as quais vivem em seu interior. No entanto, quando a água fica quente demais, os corais deixam de prover as substâncias necessárias às algas, as expelem e acabam por morrer por falta de alimento.

Esse processo, denominado branqueamento dos corais, já matou um terço da Grande Barreira, na Austrália. Só uma redução das emissões de CO2 poderia evitar o aumento continuado das temperaturas marítimas. Paralelamente, cientistas tentam desenvolver variedades de coral mais resistentes a temperaturas mais elevadas.

4 Acabar com a sujeira que mata

Durante muito tempo os oceanos constituíram um gigantesco lixão para navegadores, navios de cruzeiro e cidades costeiras. Atualmente, embora isso tenha se modificado profundamente, continua se acumulando uma enorme quantidade de resíduos nas águas internacionais. Nos oceanos formaram-se cinco grandes vórtices de lixo, em que as correntes concentram trilhões de fragmentos de plástico e outros resíduos.

Calcula-se sua superfície total entre 700 mil e 15 milhões de quilômetros quadrados. No entanto, 99% do lixo nunca chega a esses redemoinhos gigantes, sendo lançado de volta nos litorais, onde ameaçam aves, tartarugas e outros animais marinhos. Além disso, grande parte se decompõe em partículas minúsculas. O microplástico resultante se deposita então no fundo do mar ou no gelo dos polos.

Também os nitratos e fosfatos da agropecuária industrial desaguam nos oceanos, levados pelos rios. Eles estimulam o crescimento de algas que, ao morrerem, são decompostas por bactérias. O processo reduz o oxigênio contido na água, a ponto de criar “zonas da morte” em que nada mais cresce. As águas residuais da indústria continuam sendo lançadas nos mares, levando consigo substâncias químicas e metais perigosos como chumbo, mercúrio e elementos tóxicos orgânicos de difícil decomposição.

Estes se concentram na gordura de baleias, tubarões e outros animais, no fim da cadeia alimentar. Existem iniciativas para retirar o lixo plástico do oceano, usando novas tecnologias, mas é crucial reduzir o despejo de plástico na natureza e adotar leis mais rigorosas sobre o tratamento das águas residuais.

5 Caça aos tesouros marinhos

A grande corrida aos mares provavelmente ainda está por vir. Pois, nas profundezas dos oceanos, incontáveis riquezas esperam para ser extraídas, a fim de satisfazer a cobiça humana. Um exemplo são os nódulos de manganês, elemento empregado na produção de ligas metálicas, sobretudo de aço inoxidável. Calcula-se que haja mais de 7 bilhões de toneladas de manganês no fundo dos mares —mais do que em terra.

Diversos países já reivindicaram com sucesso o uso do solo marinho, para poder começar com a extração num futuro próximo. Outros metais valiosos, como níquel, tálio e terras raras, são encontrados nas profundezas. Mas as áreas contendo as rochas compostas de ferro e hidróxido de manganês são também focos de biodiversidade.

Em 2016 mesmo, descobriu-se num desses campos uma espécie inédita de polvo, de aparência fantasmagórica, que os cientistas apelidaram “Casper” (o “Gasparzinho, o Fantasminha Camarada” das histórias em quadrinhos). Atividades mineradoras nessas áreas ameaçariam os ricos, porém sensíveis ecossistemas. Somente a proibição total ou, no mínimo, regras rigorosas para a mineração marítima de profundeza podem evitar o pior.

Fonte UOL

O post Como proteger o mar apareceu primeiro em Waves.



source https://www.waves.com.br/variedades/ambiente/como-proteger-o-mar/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Albee Layer estreia Less Than Easy, novo filme sobre inverno em Maui. Jaws quebra com força máxima em cinco dias históricos de swell gigante.

https://www.youtube.com/watch?v=uYCXrHNvEEI O havaiano Albee Layer acaba de lançar Less Than Easy, filme que retrata com intensidade e emoção a última temporada de ondas grandes em Maui. Mais do que uma simples coletânea de sessões em Jaws, o projeto é uma carta de amor à ilha que Layer chama de lar há 33 anos e ao tipo de surfe que beira o limite humano. Nas palavras do próprio Albee, a ideia foi olhar para as ondas familiares com uma nova perspectiva: “Nos esforçamos ao máximo por enxergar as ondas com ideias frescas e por nos entregar de corpo e alma aos picos clássicos da ilha”, conta. E não faltaram momentos marcantes, entre eles uma sequência de cinco dias em Jaws que ele descreve como a melhor que já testemunhou, coroada pelo maior swell de sua vida. O filme também marca um momento pessoal importante: Albee acabou de tirar sua licença de piloto. Voar por cima de Maui, segundo ele, ampliou ainda mais sua conexão com a ilha e renovou seu olhar sobre a paisagem e os picos que já co...

Coluna Museu do Surfe traz história do carioca Paulo Proença, também conhecido como Rato, ícone do lendário Pier de Ipanema (RJ).

[gallery td_select_gallery_slide="slide" ids="3664111,3664113,3664112,3664115,3664116,3664114,3664118,3664119,3664117,3664120,3664121"] Entre as histórias que moldaram o surfe brasileiro, poucas são tão marcantes quanto a de Paulo Proença, o lendário “Rato”. Carioca de Copacabana, ele transformou a paixão pelas ondas em um estilo de vida que atravessou fronteiras e ajudou a formar a identidade do surfe nacional. Os avós maternos, Ione e Danton Coelho, mudaram-se do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro, então Capital Federal. Danton foi Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio de Getúlio Vargas, em 1951. Na cidade, a filha do casal, Beatriz Danton Coelho, conheceu José Augusto Proença Gomes, exímio remador do Flamengo. O casal teve quatro filhos: as meninas Carla e Andréa e os meninos Paulo, nascido em 3 de dezembro de 1952, e Zeca, em 1958. Criados na Avenida Atlântica, no Posto 5, em Copacabana, os irmãos cresceram sob o som do mar e o espírito livre da praia....

Carlos Burle estreia Bravamente, novo podcast de histórias inspiradoras. Série reúne entrevistas que mostram como esporte transforma vidas.

https://youtu.be/-s5QiotecjY O surfista e campeão mundial de ondas grandes Carlos Burle estreia nesta quarta-feira (25) o podcast Bravamente, série documental em áudio e vídeo que revela como o esporte tem sido, para muitos, mais do que uma prática física — uma verdadeira ponte para o equilíbrio emocional, propósito e oportunidades no mercado profissional. Com 12 episódios quinzenais e duração entre 15 e 40 minutos, o programa será lançado no YouTube (@bravamente_oficial) e no Spotify (Brava•Mente). A cada edição, Burle conduz conversas autênticas com personagens que têm o esporte como parte essencial da vida, em narrativas que misturam emoção, disciplina, superação e reconexão com o corpo e a mente. Entre os entrevistados da temporada estão nomes como Brenda Moura, promessa do surfe e skate brasileiro; Morongo, fundador da Mormaii; Walter Chicharro, ex-presidente da Câmara de Nazaré, em Portugal; e Trennon Paynter, treinador da equipe olímpica canadense de esqui. Também participam exe...